31 de julho de 2011

Glossário cardiológico - A

ATUALIZADO EM 20 DE SETEMBRO DE 2013

Glossário em constante construção.
Respostas rápidas para termos comumente usados em Cardiologia.

Alteração da repolarização ventricular: frase que muito comumente aparece em laudos de eletrocardiograma, exame que detecta a atividade elétrica do coração. "Repolarização ventricular" refere-se a fenômenos elétricos que ocorrem nas membranas das células dos ventrículos, as cavidades do coração que bombeiam o sangue para todo o corpo. Trata-se de um achado inespecífico, ou seja, pode dever-se a inúmeras condições cardíacas (exemplos: coração sobrecarregado por pressão alta, entupimento nas coronárias), como também pode aparecer em pessoas absolutamente normais. Frequentemente a alteração é discreta e não requer nenhum cuidado especial ou investigação adicional. Em outros casos, a alteração pode ser mais pronunciada e, inserida num contexto clínico, pode ajudar o médico a decidir sobre a forma de investigação e a conduta terapêutica.

Alteração do relaxamento ventricular: frase que muito comumente aparece em laudos de ecodopplercardiograma, o ultrassom do coração. A parte principal do coração, o ventrículo esquerdo, enche-se de sangue durante a fase de relaxamento (diástole), e depois bombeia o sangue para todo o corpo na fase de contração (sístole). Nesta “alteração do relaxamento ventricular”, como o próprio nome sugere, o coração tem mais “dificuldade” para se relaxar, fica menos complacente, e este fenômeno pode ser detectado quando o médico faz o exame de ecodopplercardiograma. Esta alteração pode ocorrer normalmente com o passar da idade, além de se associar a pressão alta e outras condições cardíacas. Via de regra, esta alteração isolada não tem nenhuma gravidade e não se relaciona com sintomas. Pode também ser denominada de “disfunção diastólica grau I”, ou seja, alteração discreta, já que esta disfunção diastólica é classificada numa escala de I a IV.

Angina: dor no peito que ocorre quando o músculo cardíaco recebe menos oxigênio do que precisa, geralmente porque "placas de gordura" nas artérias coronárias obstruem a passagem de sangue para o músculo cardíaco. Quando este precisa de mais oxigênio (exemplos: esforço físico ou situações de estresse emocional), o aporte de sangue pode não ser suficiente e a angina aparece.
Veja também:

Angioplastia coronária: procedimento de desobstrução das artérias coronárias, responsáveis pelo abastecimento de sangue para o músculo cardíaco. Frequentemente dilata-se o vaso sanguíneo e implanta-se o stent, uma espécie de “mola” que fica aderida à parede interna da artéria coronária, reduzindo o risco de um novo entupimento. O procedimento é realizado por meio do cateterismo cardíaco, usualmente feito através do vaso da região da virilha ou do punho. É dito um “procedimento invasivo”, mas não é considerado um procedimento cirúrgico.
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Angiotomografia coronária: tomografia computadorizada dirigida para a visualização dos vasos sanguíneos do coração, as artérias coronárias, permitindo avaliar se existem “placas de gordura” que obstruem a passagem do sangue. Necessita do uso de contraste iodado injetado pela veia. A grande vantagem em relação ao cateterismo cardíaco é que se trata de um exame não-invasivo, ou seja, não há a necessidade de se introduzir uma sonda por dentro do vaso sanguíneo. No entanto, o exame ainda tem limitações e ainda não é considerada uma substituta do cateterismo. Geralmente avalia-se ao mesmo tempo o chamado escore de cálcio coronário, depósitos de cálcio na parede das artérias que ajudam a estimar o risco de problemas cardíacos futuros.

Aorta: grande vaso sanguíneo que sai do coração (mais especificamente do ventrículo esquerdo) encarregando-se de levar o sangue oxigenado (arterial) para todo o corpo através de seus inúmeros ramos. Diz-se apenas “aorta” e não “artéria aorta”. Saindo do coração, faz uma curva e dirige-se ao abdome, dividindo-se então em aorta torácica e aorta abdominal. Esta termina na altura da parte de baixo do abdome, quando bifurca-se nas artérias ilíacas comuns esquerda e direita.

Área eletricamente inativa: alteração que pode aparecer em laudo de eletrocardiograma, exame que detecta a atividade elétrica do coração. Denota a presença de uma região do coração que já sofreu um infarto, ou seja, uma área que sofreu necrose (“morreu”) e perdeu a propriedade de transmitir a atividade elétrica, daí o termo “eletricamente inativa”.

Arritmia: qualquer alteração do ritmo do coração, ou seja, um termo bastante genérico. Pode ser taquicardia (quando a frequência cardíaca é >100 batimentos por minuto) ou bradicardia (quando a frequência é <50-60 batimentos por minuto). Pode ser extrassístoles que, como o próprio nome diz, são contrações (sístoles) extras que “se intrometem” na sequência de batimentos normais. Às vezes, o coração não está rápido nem lento, mas bate descompassado, num ritmo anárquico, como na fibrilação atrial. Existem arritmias leves, benignas, que nem provocam sintomas e não merecem nenhum tratamento específico. E existem arritmias malignas, graves, que podem levar à parada cardíaca.

Aterosclerose: processo de formação de placas de “gordura” no interior dos vasos sanguíneos, o que pode levar ao infarto do miocárdio (quando acomete as artérias coronárias) e ao derrame cerebral (quando acomente as artérias carótidas e a circulação cerebral). “Gordura” está entre aspas porque, apesar dos lípides serem constituintes importantíssimos da placa, esta não é formada apenas por lípides, mas por muitas outras susbtâncias e células. Diz-se que é um processo universal, ou seja, pode ocorrer em diferentes artérias do corpo, como nas carótidas, coronárias ou nos vasos dos membros inferiores. O processo é fomentado por diferentes fatores de risco, como alteração de colesterol e triglicérides, pressão alta, diabetes mellitus, tabagismo, obesidade, passar da idade e tendência genética.
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7 comentários:

  1. gostei muito,do comentário sobre a alteração do relaxamento ventricular,consegui entender direito com a sua explicação, obrigada

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  2. eu tambem, estava preocupada, agora entendi.obrigada

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  3. o que e disturbio de conduao do rMO DIREITO

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    1. Vide “bloqueio de ramo direito” em http://www.cardiologiasemfronteiras.com.br/2011/08/glossario-cardiologico-b.html
      O distúrbio de condução pelo ramo direito assemelha-se ao bloqueio de ramo direito, porém com menor magnitude (alguns dizem “bloqueio incompleto de ramo direito”). Por si só, não denota nenhuma gravidade. Pode ou não estar associado a alguma cardiopatia.

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  4. Obrigada por compartilhar informações de forma clara e concisa. Estava com dificuldade em entender o diagnóstico, agora estou ciente da situação. Mais uma vez, grata.

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  5. obrigado por dar informações a respeito de alteração do relaxamento ventricular , fiz eco e constou este diagnostico. gostaria de saber se há remédio para isto ou qual é a forma de amenizar e viver com qualidade de vida, mesmo com esta alteração

    grato

    João

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    1. Não se espera de uma alteração do relaxamento ventricular sintomas ou prejuízo à qualidade de vida. E o médico não prescreve medicamento específico para esta alteração, mas pode prescrever remédio para outras alterações que podem ocorrer concomitantemente, como por exemplo pressão alta.

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